domingo, 28 de novembro de 2010

Justificando

Rodopiava aos meus olhos enquanto eu andava pela praça. Dançava livre enquanto os carros passavam ao seu lado e freiavam evitando o seu atropelamento. De súbito, uma chuva torrencial tomou conta das ruas e enquanto todos corriam para se abrigar, eu continuava andando lentamente com os olhos fixos naquela garota que não parava de dançar. Parei. E sem que pudesse evitar, meu corpo respondeu a todos os movimentos do seu corpo. A última coisa que pude ver foi um olhar incrédulo do senhor parado em baixo da sacada do prédio, e tudo então se desfocando. Me aproximei dela e perguntei por que dançávamos, e ela me respondeu que esta seria a única forma de continuar e, sem que eu pudesse lhe dirigir mais uma palavra, senti fortes dores por todo o corpo e o mesmo sendo arremessado. Ainda deitado ouvi sua gargalhada ao fundo se aproximando, e quando chegou a altura da minha cabeça, olhei para cima, vi o seu rosto, seu sorriso que despertou o meu e tudo delicadamente então foi se dispersando. Ali, naquele exato momento, ambos fomos felizes.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Flores tratadas

O que explodia no ar daquela noite barulhenta? Eu estava realmente lá? Não sei, mas toda aquela paz num pandemônio... Por onde andarão os sonhos que me cercavam ainda ontem nesta mesma rua? O frio fez-se tão quente, e nós, agora, estamos afastados, não há equilíbrio entre o que digo. As flores tratadas já não me satisfazem, as ondas que avisto aqui de cima, já não me ouvem, não trazem nem maresia, nem algas mortas para a costa. E o pecado, este há muito deixou de existir na minha religião. Deverei renegá-la em breve, deixarei os papéis da minha bíblia seguros por um monte de areia a beira da praia e partirei rumo ao sul, lá me encontrarei e dançarei ao som daquele jazz que há muito me foi apresentado. Mas os sentimentos ainda estarão presentes em mim. Dei-me o exemplo da cor que eu deveria ter pintado no meu quadro, brigue comigo e vá!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Imperfeito perfeito

É quando alguém aparece em nossas vidas e nos diz o quão grandiosas podem ser as pessoas. Ela não era perfeita, nem tão pouco pretendia ser, e, o reconhecimento desta imperfeição cada vez mais aprimorada é o que faz dela interessante. Não procuramos anjos, santos ou demônios, queremos humanos. Cheios de vida e explosivos. Que se entregam a todos os sentimentos por completo, sejam eles bons ou ruins. Que se alimente da carne, mas não deixam de achar interessante o espírito. Aqueles que nunca sabem de nada e estão sempre à procura do conhecimento que acaba sempre por ser pouco. É a mata que arde intensamente a cada verão e se prepara no outono e inverno para renascer na primavera. O que nos deixa sós não por que quis se afastar, mas para provarmos todos os seus cânticos. É o ódio, o amor. A vergonha e a perversão. Sentir todos os seus tapas em forma de um beijo e, no fim de cada briga a certeza ainda maior que tudo está no seu devido lugar.